18/03/2008

Repórteres sem Fronteiras convocam boicote a Pequim 2008

“Si no lo contamos, no existe.
No espere a que le privem
de la información para defemderla.”


É com essa epígrafe que a ONG internacional Repórteres sem Fronteiras (RSF), sediada em Paris, termina o comunicado que divulgou hoje (18/3) à imprensa internacional.

O comunicado (que traduzo integralmente abaixo), escrito pelo correspondente da organização na Ásia, Vincemt Brossel, pede aos líderes mundiais que boicotem a abertura dos jogos. Claro, é uma reação aos acontecimentos últimos no Tibet.

E você, o que pensa sobre o assunto? Deixe sua opinião aí, abaixo, nos comentários...

A opinião deste blogueiro principiante que lhes escreve é simples e tem pretensões universais: seja qual for o regime político, social ou econômico, a imprensa deve ser livre. Claro, sabemos bem que se trata de um adjetivo bastante difuso, mas certamente você sabe bem o que quer dizer...

A imprensa é livre em Cuba? É livre em Nova Iorque? Em Brasília? É livre no Tibet? Livre na Rocinha, no Jardim Ângela? Livre para que e para quem, cara-pálida?

O governo chinês tem apontado para uma possível “trama internacional”, de governos e sobretudo das grandes corporações de mídia ocidentais, que em tese pretendem utilizar as contradições do regime chinês, durante os jogos, para desestabilizar o governo comunista. Seja como for, a convocação dos RSF parece ser bastante razoável, não?

Segue abaixo o texto completo da convocatória para que você mesmo forme sua opinião:

“Frente às crescentes violações dos direitos humanos na China, e à sangrante falta de liberdade no país, Repórteres sem Fronteiras pede aos chefes de Estado [ei, Lula, é com você...], chefes de governo [alô, alô Zapatero...] e aos membros das realezas [elementar, senhora Elizabeth...], a boicotar a cerimônia inaugural de Pequim 2008, no próximo dia 8 de agosto.

A China não respeitou nenhuma das promessas que fez em 2001, quando foi eleita para organizar as próximas olimpíadas. Ao contrário, o governo reprime brutalmente as manifestações tibetanas e impõe um black-out informativo. Hu Jia, esse incansável defensor dos direitos humanos, poderia ser condenado a cinco anos de prisão, em um julgamento sem muitos recursos e nada equilibrado. Os responsáveis políticos de todo o mundo não podem seguir guardando silêncio diante de uma situação assim. Os convidamos a manifestar sua desaprovação à política chinesa, anunciando a intenção de não assistir a cerimônia inaugural dos Jogos Olímpicos. Na Grã-Bretanha, o príncipe Charles disse que não irá a Pequim no próximo 8 de agosto. Outros deveriam seguir seu exemplo.

Pedir o boicote total dos Jogos Olímpicos não é uma boa solução. O objetivo não é privar os atletas da maior competição desportiva mundial, nem o público de um espetáculo como esse. Por outro lado, seria escandaloso não manifestar firmemente o desacordo com a política governamental chinesa e não dar apoio aos milhares de vítimas desse regime autoritário.

A única melhora constatada no terreno da liberdade informativa foi a flexibilização, em janeiro de 2007, das regras de trabalho impostas aos jornalistas estrangeiros. O black-out ao Tibet, e a expulsão de alguns enviados especiais estrangeiros presentes no local, representa uma mudança de atitude na única medida positiva adotada até agora.

Convocamos também aqueles que pensam que os Jogos Olímpicos têm princípios congruentes aos direitos humanos para que exijam que o Comitê Olímpico Internacional também se mobilize. É certo que essa instancia, garantia do espírito olímpico, não é um instrumento político, mas também não pode seguir dando mostras de passividade diante das violações que se está fazendo aos direitos fundamentais de um povo. Continuar por essa via acabará por representar certa cumplicidade com o governo chinês.

Repórteres sem Fronteiras recorda que uma centena de jornalistas, internautas e ciberdissidentes, estão presos na China, apenas por se expressar pacificamente. Desde 12 de março de 2008, os jornalistas têm proibida sua permanência no Tibet e o governo os expulsam das províncias vizinhas. A repressão das manifestações tibetanas foram feitas a portas fechadas.

Os jornalistas chineses seguem trabalhando sob as orientações do Departamento de Publicidade (antigo Departamento de Propaganda), que impõe a censura sobre muitos temas. O Estado mantém um controle geral da informação e dispõe de leis autoritárias para castigar os contraventores. As acusações de ‘subversão’, ‘difusão de segredos de Estado’ ou ‘espionagem’ são utilizadas contra os jornalistas e ciberdissidentes. Nas redações impera a censura. Os meios independentes em chinês, com sede no estrangeiro, estão bloqueados, acossados ou sofrem interferências, impedindo que haja um pluralismo informativo.”

Vincemt Brossel - Asia
asia@rsf.org - http://www.rsf.org/

6 comentários:

Anônimo disse...

Olá, Professor Tarso!!
Bom receber notícias suas e do seu trabalho. Lhe desejo sorte e sucesso.
Vou acompanhar!!
Abs
Murilo (Pinheiro Guimarães / Informática

Anônimo disse...

imprensa livre?

por quê não
imprensa livre e democrática?

basta de
citizen kane!

Pedro Cavalcante

Anônimo disse...

tudo não passa de uma queda de braço entre o moribundo capitalismo dos EUA e o agonizante socialismo stalinista chinês.
Como Trotsky, defendo ainda o socialismo deformado Chinês, ao retrocesso capitalista!
leandro alves

Karina Mercês disse...

Estimado Tarso...
A mi me encanto leer sus escritos ...
la Liberdad ès um paradigma como la democracia ...
sus escritos tienen la funcion de libertar mentes e dicer que la imprensa no es liberta en qualquer parte del mundo .... la reprecion es praticada na cara dura y las voces non son ecoadas como se debian ...
Nosotros sabemos que la informacion ès el grande capital pro e reprodutivo pero todavia es sensurada!
Entonces necesitamos de agir e nos aprofundarnos nel asuntos de la infra estrutura , politica, meio ambiente ... e hacer forúns mundiais como es proposto por Habermans.

Saludos Cordiales
Karina mercês

Anônimo disse...

É, Sr. Tarso, a única vantagem da censura é que ela é explícita, e portanto constitui um alvo mais nítido da justa indignação dos defensores da liberdade.
O resto, é liberdade... de mercado, essa prisão difusa e indevastável.

Mauro Bartolomeu

Alessandro Tarso disse...

De acordo, Mauro, de acordo...