
Neste que é o primeiro domingo da pimavera de 2008 (para o hemisfério norte) a neve ameaçou, mas não teve coragem. Pude sentir meia dúzia de flocos em meu rosto e fiquei com uma sensação de ilusão. Nada. O sol segue claro, ainda que frio.
Nenhum dos grandes jornais publicou algo relevante sobre o Brasil hoje. ABC se limitou a dizer que Ronaldinho “sigue invesible” (pois quase não joga, e quando joga não aperece) enquanto El Mundo preferiu falar de um certo “calvário de Massa” (referindo-se à saída do pilloto brasileiro da corrida em que fez a pole). Para compensar, a revista semanal do El País (El País semanal), que sai sempre aos domingos, está saborosa.
Esta é uma das vantagens de se ter um grande meio de comunicação nas mãos como é o El País: quando se quer, se pode fazer jornalismo de primeira. Infelizmente, poucos são os dias assim. Mas se você tiver interesse e paciência (para os que não são muito versados no castellano) vale à pena dar uma olhada em http://www.elpais.com/suple/eps/
Textos especiais sobre Fidel Castro (que muito em breve tomará o lugar de Che nas camisetas, bótons, e mochilas), com direito a fotos inéditas do homem, uma deliciosa entrevista com o ácido escritor norte-americano Philip Roth, que se diz vencido pelas telas, e a sempre curiosa Rosa Montero (sim, a mesma do best-seller A louca da casa). Coisas que, no contexto de oligopólio em que vive o mundo da comunicação, só mesmo uma megacorporação como o grupo Prisa (dono do El País) pode nos oferecer de maneira tão profissional e barata. Para quem tem acesso à net, de graça, ou quase.
A vida segue. Brasileiros estão sendo constantemente parados nos metrôs da cidade pela polícia espanhola (muitos estão sendo “convidados” a voltar pra casa), ali ao lado um músico argentino entoa um tango, como uma espécie de trilha sonora para a cena. Canções por moedas, documentos por liberdade. Madri em primavera, como um dia de domingo.
23/03/2008
Como um dia de domingo…
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6 comentários:
Sou assinante da edição dominical do El País (aqui no Brasil mesmo). As matérias sobre Hugo Chávez e Evo Morales dão dó de tão parciais. Mas você está certo, quando ele quer, faz reportagens maravilhosas.
Hola Alexandro:
La verdad es que, tristemente, el periodismo en este país está demasiado politizado y los periódicos y sus periodistas están más preocupados por transmitir y difundir una determinada ideología que por realizar un periodismo de calidad.
Patrick: de acordo.
Anônima: infelizmente esto no pasa solamente aquí...
Abrazo,
Totalmente de acuerdo Alessandro pero no deja de ser una pena ya que el periodismo debería preocuparse por informar en lugar de tergiversar y manipular la información según corresponda...La verdad es que como periodistas de calidad que sois :) teneis un trabajazo por delante. Ojalá todo esto cambie algún día y seamos testigos de ello!
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